quinta-feira, 7 de março de 2013

A longa e tortuosa estrada para um planejamento urbano democrático

No dia 19 de fevereiro, uma terça-feira, o auditório da Câmara Municipal de São Paulo foi palco da primeira reunião pública para discussão do Plano Diretor da cidade, que deverá ser revisto este ano. Quero fazer aqui um relato breve (talvez não tanto para os padrões da internet...) com impressões e reflexões pessoais, suscitadas pelo evento. O formato blog me libera de qualquer pretensão acadêmica, mas assim mesmo acho que vale a pena ao menos uma "referência bibliográfica": os trabalhos do americano John F. Forester inspiram muitas das observações que farei aqui, particularmente o livro Planning in the Face of Power (quem quiser um primeiro contato com o autor pode encontrar, infelizmente apenas em inglês, um artigo interessante sobre o "planejamento em face do conflito" aqui).


1. “De boas intenções o inferno está cheio”

Talvez valha a pena começar com o dito popular, o "velho deitado", como diria Adoniran Barbosa. O evento foi festejado como (mais) uma demonstração de abertura ao diálogo e à participação pública demonstrada pela atual gestão municipal, após os tenebrosos anos de autoritarismo e cerceamento das gestões Serra-Kassab. Não tenho dúvidas de que a equipe técnica (representada no evento pelo diretor do Departamento de Urbanismo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, Kazuo Nakano), o Secretário Fernando de Mello Franco e o próprio prefeito, que fez questão de comparecer e falar na abertura do evento, desejam e pretendem que o planejamento da cidade seja democrático e participativo. Acho que todos merecem este voto de confiança, e as primeiras iniciativas do secretariado mostram claramente esta intenção, como já se viu antes na reunião com o secretário de cultura, Juca Ferreira - reunião esta que foi repetidamente lembrada e comentada, com admiração. O impacto daquele evento ainda merece ser melhor digerido, porque o que teve em abundância naquele evento, neste, infelizmente, faltou. E é este o ponto que eu quero destacar inicialmente: as supostas boas intenções, das quais não duvido, ainda são insuficientemente praticadas quando se trata do planejamento da cidade. Onde está o problema?

2. Ouvir mais do que falar

Acho que a primeira diferença fundamental reside neste ponto: a proposta da atual gestão para o "modelo de cidade" que se espera e se defende foi amplamente, talvez deva dizer exaustivamente, exposto pelos representantes da SMDU. Talvez isto tenha sido uma demanda dos próprios organizadores do evento, não posso afirmar. Mas a estrutura do evento, em si, já foi rígida e formalista demais: cerca de uma hora e meia para as apresentações, pouco mais de 40 minutos para os debates, já que a reunião começou com o corriqueiro atraso de meia hora, mas não podia se prolongar além das 22h, por imposição da casa. Desses 40 e poucos minutos, quase todo o tempo foi tomado por algumas intervenções orais de lideranças ou autoridades convidadas a falar, enquanto as cerca de 70 inscrições por escrito mal foram lidas, a grande maioria ficou sem resposta. O secretário se comprometeu a respondê-las, mas a chance de ouvir mais gente foi perdida.
O formato todo era de uma audiência pública, muito institucionalizado para ser o primeiro contato. Nisto acertou Juca Ferreira, e erraram os organizadores (ou Mello Franco e Nakano?). Faltou espaço para que os presentes se manifestassem, falassem, fizessem barulho. O evento pareceu uma grande discussão técnica, ou um debate acadêmico, quando talvez muitos dos presentes tivessem outra expectativa.
Não quero com isso afirmar, como foi insinuado em certos momentos da audiência, que isto demonstre um autoritarismo de fundo, ou que a abertura para diálogo e participação seja mero discurso. Acho, na verdade, que as limitações deste evento revelam uma questão de fundo muito mais complexa no que diz respeito à participação popular em planejamento urbano. Em suas origens, o planejamento não foi concebido como um processo democrático e aberto a todos, mas como um processo eminentemente técnico. Além disso, a nossa "tradição" de democracia é caracterizada por um exercício democrático de "baixa intensidade", como diria o sociólogo Boaventura Souza Santos. A demanda por abertura é relativamente recente, e nossa experiência acumulada ainda é pequena para que tenhamos procedimentos consagrados e um acúmulo de reflexões neste sentido. Espero que este relato possa, de alguma maneira, contribuir para avançar esta reflexão.

3. Linguagem e assimetria

Um aspecto que parece ter sido particularmente irritante para certa parcela da audiência, ao ponto de obrigar o secretário a reconhecer, no final, que sua apresentação talvez tivesse sido um pouco "hermética". "O que ele quis dizer, com isso, é que para boa parte do público, ele "falou grego". Boa parte das exposições e do pouco que houve de debate, foi conduzido sob uma forma que, mesmo que expressando em seus termos as intenções - e as cobranças - por democracia e participação, é excludente por princípio. Estou me referindo à linguagem técnica, aos jargões, aos termos usuais apenas a um pequeno grupo de especialistas e seus interlocutores mais frequentes. É uma linguagem que requer um domínio dos termos técnicos, e que normalmente se restringe ou aos profissionais da área, aos movimentos articulados, aos acadêmicos, à imprensa especializada. Não ao ouvinte comum, e aqui não há nenhum menosprezo por esse ouvinte, e não se deve confundir "comum" com "não instruído". Pessoas muito bem instruídas de outras áreas de formação parecem igualmente ter tido dificuldades com o conteúdo da discussão.
Diante disso, cabe a indagação: a cidade é assunto para especialistas? Seus rumos só podem ser discutidos nesses termos, e desta forma? A resposta mais óbvia - assumindo-se a disposição democrática dos debatedores - é não, mas isso não encerra o problema. Como uma determinação de legal, o plano tem que, em algum momento, virar linguagem jurídica. E, como um conjunto de "instrumentos urbanísticos", vai passar por uma fase de desenvolvimento técnico, pelas mãos dos urbanistas responsáveis. Então, estabelecer o ponto em que a linguagem "leiga" passa à "técnica" - e vice-versa - é uma questão delicada, ainda muito longe de ser consenso. Mas é claro que é mais fácil a quem detém o conhecimento técnico compreender a demanda leiga. O contrário é muito mais difícil, então cabe ao(s) especialista(s) se preocupar com a inteligibilidade, a tradução e o trânsito entre as linguagens. Neste sentido, há que reconhecer que o secretário, ainda que um pouco tardiamente, percebeu o problema, ao declarar que sua fala fora “hermética”. Porém, mesmo em sua mea culpa, incorreu no erro que acabava de reconhecer, e mais uma vez fez uso de uma linguagem difícil de compreender (eis o que significa "hermético").
Detive-me longamente na discussão do vocabulário, mas há outro aspecto da assimetria na linguagem que deve ser mencionado: o uso da cartografia deveria ser mais criterioso. Para certos profissionais, a linguagem de mapas parece óbvia e autoexplicativa, mas é apenas um hábito adquirido, com muito treino. Não se pode  pressupor que qualquer audiência seja capaz de compreender um mapa projetado num telão, sem ao menos uma introdução, sem explicações ou sem sequer situar o expectador - "aqui é o Centro, ali a Marginal, dá pra entender?". Alternativas não faltariam: hoje, é possível produzir simulações de ambientes que permitiriam  passeios virtuais, por exemplo. Esse tipo de recurso costuma ser um pouco malvisto pelos especialistas como mera peça de "marketing", mas é um recurso de comunicação bastante eficiente.
Há um problema mais sério que o uso irrestrito da cartografia revela, que é a ideia de que estudar a cidade requer um olhar de cima, de longe, de fora. Seu uso pode resultar numa hierarquização forçada dos conhecimentos sobre a cidade, que relega todos aqueles que possuem uma experiência de baixo, de perto, de dentro, à posição secundária e subalterna. A cartografia é útil e fundamental, mas como instrumento de exposição num ambiente que requer interação e participação é, na realidade, profundamente autoritário e excludente.

4. Lugar para participar


O local de discussão pode também, em muitos casos, constituir um elemento de assimetria e de submissão. No local escolhido para esta primeira discussão pode-se apontar aspectos adequados e inadequados simultaneamente. A centralidade do auditório e a facilidade de acesso da população devem ser louvados: processos "participativos para inglês ver" podem se valer de espaços de difícil acesso ou localização para restringir seu público participante, e isso não aconteceu ali. Por outro lado, a sisudez e o peso institucional como uma Câmara de Vereadores parecem ter pesado mais do que se pode suspeitar: o ambiente acentuadamente formal, o controle de acesso, muitos seguranças... não admira que a audiência tenha tido também pouco ruído, poucas manifestações espontâneas: foi muito mais um auditório do que uma assembleia.
Junto com o local, o horário: muito adequado que o evento tenha ocorrido fora do horário de trabalho, o que possibilita a que qualquer pessoa interessada tenha condições de participar. É verdade que uma reunião dessas à noite traz uma plateia muitas vezes já cansada e nem sempre disposta a passar horas que seriam de descanso num debate frequentemente tão árido. Também é verdade que, numa cidade como São Paulo, é grande o número de ocupações que possuem seu turno de trabalho no período noturno. Não se pode pretender alcançar a totalidade da população neste horário. Ainda assim, é maior a chance de alcançar um público maior, e isso deve ser reconhecido como um acerto importante da organização da reunião. Talvez outras reuniões requeiram também outros horários, mas é significativo que a primeira tenha buscado uma acessibilidade maior. Assim, embora o Ministério Público tenha criticado o caráter supostamente pouco democrático da proposta do Arco do Futuro, sua iniciativa de marcar outra reunião para debater o PD numa sexta-feira à tarde (08/03/13) é uma contradição com a própria crítica que formularam. Esperamos que seja apenas nesta ocasião em particular. 

5. “Estamos ansiosos para governar, e vocês ansiosos para participar”

Enfim, há muito o que se criticar no evento, mas alguns pontos positivos importantes, que permitem supor que a intenção de promover uma participação efetiva da população não seja meramente no discurso e na intenção. Não dá para discutir, neste post, a proposta em si: o "Arco do Futuro" é passível de discussão, questionável (qual não seria), mas sem dúvida um primeiro passo. Embora seja um projeto concebido a partir de um grupo de especialistas, não se pode dizer que seja um “coelho tirado da cartola”: ele foi apresentado já na época da campanha eleitoral (o que, convenhamos, é uma novidade), portanto, já passou por um primeiro referendo: a eleição de Haddad poderia ser entendida também como uma demonstração de que a população tem interesse em conhecer melhor e debater (e melhorar) esta proposta.
Essa proposta não deixa de simbolizar um sentimento de urgência e certa afobação também da parte dos urbanistas, como que dizendo que também esses querem se fazer ouvir. Se houve uma mensagem tônica de todo o encontro, foi o de que a população sente ter passado quase uma década tendo seus espaços de demanda, reivindicação e participação sistematicamente reduzidos e restritos. Isso vale também para os profissionais da cidade: há anos, os rumos da cidade têm sido ditados por um grupo limitado de interesses, e  as demandas por uma concepção mais justa e abrangente da vida urbana foi cerceada também aos urbanistas, em favor de um projeto de cidade disciplinador (no pior sentido da palavra), moralista, mesquinho.
A abertura ao diálogo começou pela inclusão de toda a "massa crítica" que havia sido alijada das decisões e relegada a apenas debates acadêmicos nos últimos anos. Mas não é o bastante, é preciso incluir ainda mais, abrir ainda mais a discussão. É preciso multiplicar os espaços de encontro, os eventos, falar a língua da plateia. Termino com uma citação, uma última referência "bibliográfica": o urbanista Lewis Mumford, que disse:
E se as facilidades que oferece ao diálogo e ao drama, em todas as suas ramificações, constituem uma das forças essenciais da cidade, então uma das chaves do desenvolvimento urbano deve estar evidente: acha-se ela no alargamento do círculo daqueles que são capazes de tomar parte nele, até que, por fim, todos os homens participem da conversa. (...) Pela mesma razão, o símbolo mais revelador do fracasso da cidade, da sua própria inexistência como personalidade social, é a ausência do diálogo - não necessariamente o silêncio, mas igualmente o som ruidoso de um coro que pronuncia as mesmas palavras, num conformismo acuado embora complacente. O silêncio de uma cidade morta tem mais dignidade que os vocalismos de uma comunidade que não conhece nem o retiro nem a oposição dialética, nem a observação irônica nem a disparidade estimulante, nem um conflito inteligente nem uma resolução moral ativa. (MUMFORD, Lewis. A cidade na história: Suas Origens, Transformações e Perspectivas. São Paulo: Martins Fontes, 1998. 4ª ed, p. 134)
Começamos com boas intenções. Pode não ser suficiente, mas é necessário que elas existam. Se é verdade que de boas intenções o inferno está cheio, não se sabe de haver mal intencionados no paraíso.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Política urbana e gestão democrática: 10 anos de Estatuto da Cidade


Neste artigo, Patrícia Ramos Novaes apresenta os condicionantes históricos do processo de gestão democrática da política urbana, bem como analisa as possibilidades e desafios na perspectiva do direito à cidade após 10 anos da existência do Estatuto da Cidade. As análises foram realizadas através dos dados produzidos pela pesquisa Rede Nacional de Avaliação e Capacitação dos Planos Diretores Participativos, que analisou 526 planos diretores em 26 estados brasileiros e no Distrito Federal, com o objetivo de avaliar os instrumentos do Estatuto das Cidades que foram incorporados pelos Planos Diretores.
As cidades brasileiras expressam os efeitos do modelo de desenvolvimento econômico e urbano que vem sendo adotado nas últimas décadas, caracterizado por uma urbanização que combinou processos migratórios do campo para as cidades e alta valorização do solo urbano, objeto de grande especulação imobiliária. Esses processos provocaram a expansão da periferização e segregação socioespacial.
Nesse contexto, emergiu no país um movimento social organizado em torno da questão urbana, o movimento nacional de reforma urbana, responsável pela elaboração de uma plataforma política em torno do tema, que culminou na formulação do capítulo da Política Urbana na Constituição Federal de 1988 e no Estatuto da Cidade em 2001. No seu âmbito, destaca-se a organização do Fórum Nacional de Reforma Urbana - FNRU, como sua principal expressão no campo dos movimentos organizados e como um dos principais agentes responsáveis pelas conquistas no plano institucional nos últimos anos (De Grazia, Grazia, 2003; SANTOS JUNIOR, 2007).
O ideário da reforma urbana foi resultado da articulação entre décadas de reflexão de profissionais do campo do planejamento urbano e da atuação dos movimentos populares de moradia, tendo como resultado a construção de uma nova ética social que pretendia politizar a discussão sobre a cidade e ao mesmo tempo servir de plataforma política aos movimentos sociais urbanos, fornecendo um horizonte que ultrapassasse as questões locais e específicas (Ribeiro, 1986). Essa ética tem como fundamento a crítica das práticas econômicas que tornam a cidade uma mercadoria e a defesa da democratização dos processos decisórios responsáveis pela definição e gestão de políticas e programas urbanos.
A Constituição Federal de 1988 incorporou alguns preceitos da reforma urbana na medida em que reconheceu a função social da propriedade e a gestão participativa da política urbana. Da mesma forma, a Constituição criou a possibilidade de novos processos e regras políticas capazes de redefinir as relações do Estado com a sociedade, no sentido de criar uma nova institucionalidade democrática. O Estatuto da Cidade ao regulamentar o capítulo da Política Urbana fortaleceu a ideia de que os espaços de representação social na organização e gestão das políticas urbana devem ser alargados para permitir a participação de novos sujeitos sociais.
A gestão democrática é entendida como a participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da sociedade na formulação, execução e acompanhamento de planos, programas e projetos de desenvolvimento urbano.
A análise dos principais mecanismos de controle democrático exige uma reflexão entre o momento de sua proposição – anos 1980 – e o da sua implementação – anos 1990. Nos anos 1980, com o processo de redemocratização da sociedade ampliou-se o debate de uma nova relação Estado-Sociedade com a ampliação dos canais de participação direta. Porém, os mecanismos de controle democrático foram implementados a partir dos anos 1990, em um cenário de crise do capital internacional e de uma fase de orientações neoliberais para as políticas públicas.
Esse cenário era contrário à universalização dos direitos sociais definidos pela Carta Constitucional, colocando um desafio aos preceitos da reforma urbana e também à gestão democrática (SANTOS JUNIOR, 2007; De GRAZIA, 2003; RAICHELIS, 2006).
Este artigo pretende analisar as possibilidades e desafios dos instrumentos de gestão democrática da política urbana, após 10 anos de implementação do Estatuto da Cidade. Para isso utilizaremos dados gerados pelo projeto Rede Nacional De Avaliação E Capacitação Dos Planos Diretores Participativos, que analisou 526 Planos Diretores em 26 estados brasileiros e no Distrito Federal, com o objetivo de avaliar os instrumentos do Estatuto das Cidades que foram incorporados pelos Planos Diretores.
Para ler a versão completa do artigo “Política urbana e gestão democrática após 10 anos de Estatuto da Cidade: possibilidades e desafios na perspectiva do direito à cidade”, acesse a edição nº 11 da Revista e-metropolis aqui.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Concerto na cobertura

30 de janeiro de 1969, Londres. Uma interferência urbana marca a última aparição conjunta dos Beatles ao vivo. Saudável distúrbio no cotidiano da cidade, uma sempre desejável quebra de regularidade no que o urbanismo e a autoridade gostam de manter "ordenado"...





Artesanato, arte, artefato


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Upload feito originalmente por mvirgilio
Um programa imperdível para mim em qualquer cidade do interior é conhecer o seu Mercado Municipal, ou a Casa do Artesão, ou afins.
Esta foto é do Mercado de Cunha (SP). Utensílios, apetrechos - e a disposição absolutamente peculiar desses lugares.
Dá pra perder um bom tempo olhando, mexendo (porque nesses museus, ao contrário dos museus eruditos, muitas vezes é permitido tocar nos objetos) e curtindo.

Piscinões

Post com dupla função:
  1. Divulgar um site excelente sobre arquitetura e urbanismo, o Vitruvius;
  2. Espalhar um artigo interessante discutindo o descalabro que são os piscinões nas áreas urbanas. Vale a pena ler!
Para acessar, clique aqui.

Luzes brilhantes, cidade grande

Fim de 2009, resolvi deixar no blog uma música que nem é um tema de Natal, nem votos de felicidades, mas um blues que lembro sempre ao andar pela cidade cheia de luzes e enfeites. Imagino quanto isso poderia impressionar quem chega à cidade pela primeira vez. E aí essa música de Jimmy Reed me vem sempre à cabeça.

Bright Lights, Big City

(Jimmy Reed)

Bright lights, big city
Gone to my baby's head
Bright lights, big city
Gone to my baby's head

I'd tried to tell the woman
But she doesn't believe a word I said
Go light pretty baby...
Gonna need my help some day
It's all right pretty baby...
Gonna need my help some day

You're gonna wish you listened
To some of those things I said

Go ahead pretty baby
Oh, honey knock yourself out
Go ahead pretty baby
Oh honey knock yourself out

I still love you baby
Cause you don't know what it's all about

Bright lights, big city
Gone to my baby's head
Bright lights, big city
Gone to my baby's head


Primeira postagem


Inaugurando um novo blog. O título talvez mereça uma nota "explicativa". Cidade é um ponto de interesse meu, coisas que dizem respeito à cidade (às cidades). Talvez, mas apenas talvez, com um foco centrado em São Paulo. Segundo lugar: a idéia de artefato, arte, ofício, artifício, coisa feita - não interessa o naturalizado, a-histórico, sobre-humano.
O que é, enfim?
Inicialmente, era um blog experimental, repositório de ideias ainda não acabadas, rascunhos, "work in progress". A partir de fevereiro de 2013, o blog ganha uma finalidade mais "didática", com o desenvolvimento das minhas atividades docentes. Tem sido crescente a utilização de recursos eletrônicos, em rede, para fins didáticos, especialmente em apoio "extra-classe", e meu interesse aqui é criar e desenvolver esse tipo de recurso. Aos visitantes e seguidores do blog, um convite e um pedido: comentem, sugiram, critiquem. O aprimoramento do blog tem o objetivo de atender e facilitar a vida de quem estuda e se interessa por arquitetura e, principalmente, urbanismo e cidade.
Seguindo as linhas das disciplinas que tenho ministrado, o conteúdo se volta principalmente a História, Teorias e Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo, e também a Planejamento Urbano e Projeto de Urbanismo. Além de conteúdos diretamente ligados às disciplinas, a ideia é que aqui sejam também reunidas fontes, links de interesse, e outros recursos que auxiliem os estudantes e pesquisadores. E um "extra": como parte dos meus interesses pessoais e tema de pesquisa, aqui também trago indicações de "trilhas sonoras": músicas que tratem ou retratem a vida nas cidades, em suas mais diversas formas.
Pra começar, é isso. Espero que gostem e acompanhem!

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Programa - HTAU/AIM

Programa da Disciplina HTAU Antiguidade e Idade Média para Download: clique aqui
Cronograma da Disciplina - 1º Semestre de 2013 disponível em breve!

Programa da Disciplina HTAU - Antiguidade e Idade Média


CURSO:                                 Arquitetura e Urbanismo                      
DISCIPLINA:                          História e Teorias da Arquitetura e do Urbanismo na 
                                                     Antiguidade e Idade Média
PROFESSOR:                       André Luiz Canton, Marcos Virgílio da Silva
CÓDIGO:                                03301A
CARGA  HORÁRIA:              40 horas
SEMESTRE:                          3º

EMENTA

A arquitetura enquanto cultura e técnica do habitat desde a Pré-história até o Gótico

OBJETIVOS DA DISCIPLINA

Apresentar um quadro histórico de caráter informativo e reflexivo da arquitetura e da cidade como núcleo civilizatório; Incentivar a prática da leitura e da crítica abrangente da obra de arte e da arquitetura, necessária à formação do arquiteto; Conhecer, analisar e interpretar as obras de arte e arquitetura que configuram o repertório da cultura desde a pré-história até o fim da Idade Média.
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

Introdução / revisão: das cavernas às cidades (Pré História, Mesopotâmia e Egito)
Civilização Grega;
Civilização Romana;
Arte e Arquitetura Paleocristã e Bizantina;
Feudalismo e descentralização política/ a crise das cidades;
Cruzadas e influências da arquitetura islâmica;
Arquitetura românica;
Renascimento das cidades/ Arquitetura gótica: França, Itália, Espanha, Inglaterra e Alemanha
METODOLOGIA DE ENSINO

Aulas expositivas com suporte de recursos audiovisuais (data-show);
Leituras programadas de bibliografia básica, com avaliação parcial;
Trabalhos sobre obras e projetos específicos, com elaboração de monografias.

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

A avaliação será contínua e cumulativa, baseada no acompanhamento aula a aula do aproveitamento de cada aluno, de acordo com sua participação, interesse e do desenvolvimento integral das atividades propostas:
Leituras programadas, elaboração de relatórios e monografia (avaliação continuada: média 3,0)
Comprovação do entendimento global da disciplina (avaliação regimental: 7,0)
BIBLIOGRAFIA BÁSICA
JORDAN, R, Furneaux. História da Arquitetura no Ocidente. Camarate: Verbo, 1985.
PEREIRA, José Ramón Alonso. Introdução à História da Arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2010
PEVSNER, Nikolaus. Panorama da Arquitetura Ocidental. São Paulo: Martins Fontes, 2002
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
BENEVOLO, Leonardo. História da Cidade. São Paulo: Perspectiva, 2001.
COULANGES, Fustel. A Cidade Antiga. São Paulo: Martins Fontes, 2000. 
ECO, Umberto. Arte e Beleza na Estética Medieval. Presença, 2000
HAUSER, Arnold. História Social da Arte e Literatura. São Paulo: Martins Fontes, 2000.2exs
KOCH, Wilfried. Dicionário dos Estilos Arquitetônicos. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
MUMFORD, Lewis. A Cidade na História. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
ROBERTSON, D. S. Arquitetura Grega e Romana. São Paulo: Martins Fontes, 1997
VITRUVIUS POLLIO. Tratado de Arquitetura. São Paulo: Martins Fontes, 2007
ZEVI, Bruno. Saber ver a arquitetura. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Uma biografia urbanística de João Rubinato, ou Adoniran Barbosa

Ainda em 2009, apresentei este trabalho num congresso no Rio de Janeiro (LASA 2009). Era minha primeira participação em um evento internacional, a enorme reunião da Latin American Studies Association, que realizou naquele ano o 28º encontro, com o tema "Repensando as desigualdades" (eu e as desigualdades...!). Esse "paper" foi uma primeira experiência de descrição dos "espaços de vida" de sambistas em São Paulo, que depois se tornaria parte de um dos capítulos da minha tese. Aqui, obviamente, trato do sambista mais conhecido da terra da garoa, Adoniran Barbosa. E este está em português. Mais fácil que ler a tese completa, rsrs.
Espero que gostem!