terça-feira, 30 de agosto de 2011

São Paulo em documentário

Recentemente tenho tido a oportunidade de assistir a vários vídeos muito interessantes sobre São Paulo: documentários produzidos às vezes para o cinema mas, na maioria das vezes, produzidos diretamente para divulgação via internet e afins. Documentários de conclusão de curso, matérias jornalísticas, não importa. São muito interessantes e instigantes, fomentando muito boas discussões.
Dois deles, em especial, me chamaram a atenção. Um deles se chama "Entre Rios", e conta a história da urbanização de São Paulo sob a ótica da relação da cidade com seus rios (especialmente o Tietê e o Tamanduateí), e de como os sacrificamos em favor das avenidas de fundo de vale numa lógica rodoviarista de ocupação, expansão e organização do espaço urbano. Vale a pena conferir:
Um outro video, que também questiona a prioridade do automóvel na cidade é o documentário "Sociedade do Automóvel". Este não tanto pelo lado da história mas de uma espécie de etnografia dos usuários de transportes coletivos da cidade e sua luta para não ter carro numa cidade que parece obrigar todo mundo a tê-lo. Não sei ainda por quanto tempo o Google Video vai continuar no ar, mas enquanto não sai dá para ver o vídeo aqui.
Este post fica por aqui, mas quem tiver outras sugestões, por favor deixe seu comentário!
E até a próxima

terça-feira, 5 de julho de 2011

Bertolt Brecht

Este poema é intitulado "A Cronos", e faz parte dos "Poemas de um manual para habitantes das cidades".

Não queremos sair de sua casa
Não queremos destruir o fogão
Queremos por a panela no fogão.
Casa, fogão e panela podem permanecer
E você deve desaparecer como a fumaça no céu
Que ninguém segura.

Quando quiser se apegar a nós, iremos embora
Quando sua mulher chorar, esconderemos o rosto no chapéu
Mas quando vierem buscá-lo  nos apontaremos para você
E diremos: deve ser ele.

Não sabemos o que virá, e nada temos de melhor
Mas a vocês não mais queremos.
Antes que se vá
Vamos cobrir as janelas, para que não amanheça.

Às cidades é permitido mudar
Mas a você não é permitido mudar.
As pedras queremos persuadir
Mas a você queremos matar
Não deve viver.
Não importa em que mentiras temos que crer:
Você não pode haver sido.

(Assim falamos como nossos pais).

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Música e urbanização

Recebi, há algum tempo, um video documentário realizado por alunos de graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. Esses alunos fizeram uma pesquisa relacionando música e urbanização, um assunto que tenho pesquisado há mais de dez anos. Fui contatado por eles, fizemos uma breve reunião em que indiquei algum material, algumas referências bibliográficas e musicais, e agora chegou o resultado, bem bacana por sinal.
Para minha alegria, o trabalho recebeu nota máxima, o que comprova o interesse atual no tema que tenho pesquisado. Tomo a liberdade de postar o video aqui no blog, para que os leitores possam assistir a um trabalho muito bem feito. E parabéns aos estudantes: Alex Sartori, Ariel Macena, Daniela Marques, Thaís Grotti, Thaís Maio e Jaquelina Santiago.
Aqui está o video.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Mais de um ano!

Dia 21 de julho marcou o primeiro aniversário deste blog, e eu infelizmente não lembrei de comemorá-lo...
Bom, para que não passe em branco mais uma vez, eu aproveito esta postagem para compartilhar um video de um projeto interessantíssimo do músico Lívio Tragtenberg, Neurópolis.
O video apresenta uma  parte do documentário Neuropolis, projeto do músico Livio Tragtenberg com músicos de rua e imigrantes. Com entrevistas e depoimentos dos participantes desse projeto que busca representar em forma de música a mistura de culturas de São Paulo, a "cidade dos nervos". Vídeo vencedor do Troféu Angela José no Cinesul 2007, por incentivar o diálogo íbero-americano.
Vale a pena conferir!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Meu livro


Fazia muito tempo que não escrevia aqui, e volto com uma ótima notícia.
Um livro que tinha escrito há muito tempo, e que tem muito a ver com a ideia deste blog, foi publicado agora, está quentinho saído do forno!
O livro é resultado de minha iniciação científica na FAU, sob orientação da professora Maria Lucia Caira Gitahy e financiamento do CNPq. Por enquanto, está disponível para aquisição pelo site da editora, mas em breve também poderá ser encontrado no Amazon, Google Books e afins. Qualquer novidade, eu aviso aqui e onde mais puder!
Por enquanto, fica aqui uma pequena amostra - a capa do livro, e o link para a editora.
Espero que leiam!

domingo, 10 de janeiro de 2010

São Paulo "Antiga"

Durante todo o ano passado, meus dias foram marcados por um calendário super chique da Imprensa Oficial de São Paulo com fotos de São Paulo tirada por fotógrafos ou intelectuais franceses (foi o Ano da França no Brasil). Agora, com as arrumações de fim de ano, resolvi não me desfazer das fotos tão preciosas!
Desrespeitando um pouco os direitos autorais (mas não os fotógrafos ou as fotos), escaneei todas elas e criei um álbum no Facebook com essas preciosidades. Por serem scans de reproduções, não têm, é claro, nem de perto a qualidade das fotos originais. Mas é um primeiro passo para quem tiver interesse poder ir buscar as fotos nos acervos indicados.
O link para ver as fotos está aqui. Espero que gostem!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O lado B das cidades

(Artigo publicado originalmente pela Agência Brasil de Fato em 15/10/2009,)

Exclusão social, transgressão, imigração e inventividade para sobreviver são os temas principais que perpassam projetos da mostra Post-it City Cidades Ocasionais

Exclusão social, transgressão, imigração e inventividade para sobreviver são os temas principais que perpassam projetos da mostra Post-it City Cidades Ocasionais

por Dafne Melo


post_itEm 1991, imigrantes bolivianos na Argentina começaram a armar barraquinhas às margens do rio Riachuelo, no bairro de Ingeniero Budge, em Lomas de Zamora, cidade da província de Buenos Aires, ao sul da capital. Dezoito anos depois, o local cede espaço, todas quartas e domingos, para a maior feira informal da América Latina, a La Salada. Os números da feira impressionam. Por semana, movimenta 9 milhões de dólares e recebe cerca de 100 mil pessoas. Emprega 6 mil trabalhadores, entre argentinos, bolivianos, paraguaios e peruanos que tiram, em média, 500 pesos (R$ 226) por dia de feira. São cerca de 15 mil postos de venda, 90% deles com produtos têxteis que falsificam marcas famosas, que juntos ocupam uma área equivalente a 20 estádios do Maracanã. Por 30 pesos, é possível sair da feira com um tênis Nike no pé, por exemplo.


O caso de “La Salada” é um dos 70 abordados na exposição Post-it City Cidades Ocasionais, em cartaz em São Paulo (SP) até final de novembro. Pedro Sales, arquiteto e urbanista, curador da mostra no Brasil, explica que o projeto nasceu há alguns anos em Barcelona (Espanha), organizado por Martin Peran, professor e crítico de arte da Universidade de Barcelona, com objetivo de capturar experiências “post-it” pela cidade catalã. O projeto cresceu e desenvolveu uma rede entre artistas de diversos países que passaram a documentar – em fotos, textos e vídeos – casos em diversos lugares do mundo, organizados depois em exposições que além de Barcelona, passou por Santiago do Chile e depois de São Paulo segue para Buenos Aires.post_it1


O conceito

Pedro Sales explica que o conceito “post-it” remete a experiências urbanas que se dão à margem da lógica dominante, alterando o espaço urbano e público de uma forma que não está prevista pelo sistema – e aí encontra seu potencial crítico – ainda que, em alguns casos, ela possa vir a ser incorporada pelo capitalismo. Outro ponto do conceito é a questão da temporalidade, já que, a princípio, esses casos seriam efêmeros e, após seu fim, não deixariam rastros, assim como um post-it não deixa marcas em um livro.


Pedro opina que a questão da temporalidade talvez se encaixe mais nas experiências europeias. Um exemplo são as fotos feitas pela artista Francisca Benítez nos arredores do Garde L'Est, em Paris (França). Ela flagrou, em 2005, diversas trouxas de roupas de imigrantes afegãos que, sem lugar para deixar seus pertences, os colocavam em cima das árvores, apoiadas entre os galhos, enquanto saiam para o trabalho ou em busca de um.


post_it2Os projetos realizados sobretudo na América Latina, entretanto, acabaram trazendo um questionamento ao conceito, uma vez que aqui, o que é para ser temporário, torna-se, frequentemente, permanente. Prova disso são as favelas, ocupações e cortiços que, se a rigor deveriam ser uma saída temporária para os sem teto – até que o poder público se encarregue de viabilizar moradia –, viram habitações permanentes, como o caso de jovens que vivem embaixo de pontes, à beira do rio Mapocho, em Santiago do Chile.


América Latina

Se o modelo de cidade planejada, com crescimento controlado e uso democrático do espaço público já é impossível dentro do moldes de desenvolvimento capitalista, aqui se torna ainda mais utópico. “As cidades são pensadas de uma maneira de que parte das pessoas são excluídas e então elas se apropriam de espaços ou numa lógica de sobrevivência ou de transgressão”. Dentro dessa última perspectiva, há o exemplo do documentário São Paulo City Tellers que aborda, dentre outros temas, a atividade de grafiteiros que arriscam a vida – pela dificuldade dos lugares a serem grafitados e pela perseguição da polícia – para deixar suas marcas no espaço público.


No sentido de viabilizar a sobrevivência, há o projeto Street Economy Archive, que documenta o comércio informal em grandes metrópoles como Cidade de México, São Paulo, Rio de Janeiro (RJ), Veneza (Itália), Istambul (Turquia), Madri (Espanha) e Skopje (Macedônia). Boa parte dos trabalhadores que se dedicam à atividade são imigrantes, tanto estrangeiros como compatriotas que vão para as capitais em busca de melhores condições de vida.post_it3


Entretanto, ainda que os casos abordados na exposição surjam sempre à margem do sistema capitalista, muitos são incorporados, justamente porque se tornam permanentes, além de trazerem potencial de lucro. Pedro Sales cita a Feira do Pari, em São Paulo, na praça Kantuta, realizada por trabalhadores de origem boliviana – muitos sub-empregados em indústrias têxteis dos bairros do Bom Retiro e da Luz e frequentemente explorados em regime semi-escravo. “Essa feira entrou para o calendário oficial dos eventos turísticos da cidade. Mandaram padronizar as barracas, obedecer regras de higiene e hoje a Western Union – uma empresa que faz remessas de dinheiro pelo mundo – resolveu patrocinar a feira e lá eles mandam o dinheiro que arrecadam aqui para os familiares na Bolívia, deixando uma taxa de 5% para a empresa”.


Serviço

Post-it City Cidades Ocasionais

Onde: Centro Cultural São Paulo – Piso Flávio de Carvalho, Rua Vergueiro, 1000, Paraíso (próximo ao metrô Vergueiro).

Quando: Até 29 de novembro. Terça à sexta, das 10 às 20hs. Sábados, domingos e feriados das 10 às 18hs.

Entrada franca.

Mais informações: www.centrocultural.sp.gov.br ou (11) 33974002

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

domingo, 20 de setembro de 2009

Música e Ferrovias

O trem é uma das mais fortes imagens da urbanização no século XIX no mundo. Não é de se surpreender que uma infinidade de canções tenham se inspirado ou influenciado por ele, fazendo referências - diretas ou não - aos trens e ferrovias.
É disto que o site indicado a seguir trata: uma riquíssima fonte de referências a músicas que tratam de ou fazem referências a trens, desde a década de 1820 até a atualidade!
Inclui ainda indicações bibliográficas, discografia e vários links de interesse!

Phil Pacey

Post dedicado a Vanda Quecini (se tivéssemos descoberto a tempo para a EFVM... rsrs)