sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O lado B das cidades

(Artigo publicado originalmente pela Agência Brasil de Fato em 15/10/2009,)

Exclusão social, transgressão, imigração e inventividade para sobreviver são os temas principais que perpassam projetos da mostra Post-it City Cidades Ocasionais

Exclusão social, transgressão, imigração e inventividade para sobreviver são os temas principais que perpassam projetos da mostra Post-it City Cidades Ocasionais

por Dafne Melo


post_itEm 1991, imigrantes bolivianos na Argentina começaram a armar barraquinhas às margens do rio Riachuelo, no bairro de Ingeniero Budge, em Lomas de Zamora, cidade da província de Buenos Aires, ao sul da capital. Dezoito anos depois, o local cede espaço, todas quartas e domingos, para a maior feira informal da América Latina, a La Salada. Os números da feira impressionam. Por semana, movimenta 9 milhões de dólares e recebe cerca de 100 mil pessoas. Emprega 6 mil trabalhadores, entre argentinos, bolivianos, paraguaios e peruanos que tiram, em média, 500 pesos (R$ 226) por dia de feira. São cerca de 15 mil postos de venda, 90% deles com produtos têxteis que falsificam marcas famosas, que juntos ocupam uma área equivalente a 20 estádios do Maracanã. Por 30 pesos, é possível sair da feira com um tênis Nike no pé, por exemplo.


O caso de “La Salada” é um dos 70 abordados na exposição Post-it City Cidades Ocasionais, em cartaz em São Paulo (SP) até final de novembro. Pedro Sales, arquiteto e urbanista, curador da mostra no Brasil, explica que o projeto nasceu há alguns anos em Barcelona (Espanha), organizado por Martin Peran, professor e crítico de arte da Universidade de Barcelona, com objetivo de capturar experiências “post-it” pela cidade catalã. O projeto cresceu e desenvolveu uma rede entre artistas de diversos países que passaram a documentar – em fotos, textos e vídeos – casos em diversos lugares do mundo, organizados depois em exposições que além de Barcelona, passou por Santiago do Chile e depois de São Paulo segue para Buenos Aires.post_it1


O conceito

Pedro Sales explica que o conceito “post-it” remete a experiências urbanas que se dão à margem da lógica dominante, alterando o espaço urbano e público de uma forma que não está prevista pelo sistema – e aí encontra seu potencial crítico – ainda que, em alguns casos, ela possa vir a ser incorporada pelo capitalismo. Outro ponto do conceito é a questão da temporalidade, já que, a princípio, esses casos seriam efêmeros e, após seu fim, não deixariam rastros, assim como um post-it não deixa marcas em um livro.


Pedro opina que a questão da temporalidade talvez se encaixe mais nas experiências europeias. Um exemplo são as fotos feitas pela artista Francisca Benítez nos arredores do Garde L'Est, em Paris (França). Ela flagrou, em 2005, diversas trouxas de roupas de imigrantes afegãos que, sem lugar para deixar seus pertences, os colocavam em cima das árvores, apoiadas entre os galhos, enquanto saiam para o trabalho ou em busca de um.


post_it2Os projetos realizados sobretudo na América Latina, entretanto, acabaram trazendo um questionamento ao conceito, uma vez que aqui, o que é para ser temporário, torna-se, frequentemente, permanente. Prova disso são as favelas, ocupações e cortiços que, se a rigor deveriam ser uma saída temporária para os sem teto – até que o poder público se encarregue de viabilizar moradia –, viram habitações permanentes, como o caso de jovens que vivem embaixo de pontes, à beira do rio Mapocho, em Santiago do Chile.


América Latina

Se o modelo de cidade planejada, com crescimento controlado e uso democrático do espaço público já é impossível dentro do moldes de desenvolvimento capitalista, aqui se torna ainda mais utópico. “As cidades são pensadas de uma maneira de que parte das pessoas são excluídas e então elas se apropriam de espaços ou numa lógica de sobrevivência ou de transgressão”. Dentro dessa última perspectiva, há o exemplo do documentário São Paulo City Tellers que aborda, dentre outros temas, a atividade de grafiteiros que arriscam a vida – pela dificuldade dos lugares a serem grafitados e pela perseguição da polícia – para deixar suas marcas no espaço público.


No sentido de viabilizar a sobrevivência, há o projeto Street Economy Archive, que documenta o comércio informal em grandes metrópoles como Cidade de México, São Paulo, Rio de Janeiro (RJ), Veneza (Itália), Istambul (Turquia), Madri (Espanha) e Skopje (Macedônia). Boa parte dos trabalhadores que se dedicam à atividade são imigrantes, tanto estrangeiros como compatriotas que vão para as capitais em busca de melhores condições de vida.post_it3


Entretanto, ainda que os casos abordados na exposição surjam sempre à margem do sistema capitalista, muitos são incorporados, justamente porque se tornam permanentes, além de trazerem potencial de lucro. Pedro Sales cita a Feira do Pari, em São Paulo, na praça Kantuta, realizada por trabalhadores de origem boliviana – muitos sub-empregados em indústrias têxteis dos bairros do Bom Retiro e da Luz e frequentemente explorados em regime semi-escravo. “Essa feira entrou para o calendário oficial dos eventos turísticos da cidade. Mandaram padronizar as barracas, obedecer regras de higiene e hoje a Western Union – uma empresa que faz remessas de dinheiro pelo mundo – resolveu patrocinar a feira e lá eles mandam o dinheiro que arrecadam aqui para os familiares na Bolívia, deixando uma taxa de 5% para a empresa”.


Serviço

Post-it City Cidades Ocasionais

Onde: Centro Cultural São Paulo – Piso Flávio de Carvalho, Rua Vergueiro, 1000, Paraíso (próximo ao metrô Vergueiro).

Quando: Até 29 de novembro. Terça à sexta, das 10 às 20hs. Sábados, domingos e feriados das 10 às 18hs.

Entrada franca.

Mais informações: www.centrocultural.sp.gov.br ou (11) 33974002

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

domingo, 20 de setembro de 2009

Música e Ferrovias

O trem é uma das mais fortes imagens da urbanização no século XIX no mundo. Não é de se surpreender que uma infinidade de canções tenham se inspirado ou influenciado por ele, fazendo referências - diretas ou não - aos trens e ferrovias.
É disto que o site indicado a seguir trata: uma riquíssima fonte de referências a músicas que tratam de ou fazem referências a trens, desde a década de 1820 até a atualidade!
Inclui ainda indicações bibliográficas, discografia e vários links de interesse!

Phil Pacey

Post dedicado a Vanda Quecini (se tivéssemos descoberto a tempo para a EFVM... rsrs)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Aos urbanófilos

Há um tempo adotei, junto com alguns amigos, o termo "urbanófilo" para designar a relação que estabelecemos com a nossa cidade de São Paulo. Como o urbanista da turma, profissionalmente falando, sou eu, gostei da ideia de adotar um outro título que não me distinguisse de todos os outros, viventes e usuários da cidade tanto quanto eu mesmo - se não até mais.
Cada um a seu modo, esses amigos trazem consigo lembranças de lugares especiais, suas próprias vivências inscritas em suas memórias, e claro que seus próprios pensamentos a respeito do que a cidade que conhecem e experimentam a cada dia é - e, muitas vezes, do que deveria ser.
Não cabe a mim concordar ou discordar, julgar ou avaliar: há lugares e situações adequados para um debate franco e em que as opiniões podem ser expostas e contrastadas de forma aprofundada e conseqüente. Mas não é neste blog. Inevitavelmente, exponho aqui o meu ponto de vista. Mas faço questão de mantê-lo como "mais um". Essa pluralidade é a primeira condição para a vida urbana.
Então, convido cada leitor deste blog a descobrir as cidades que aqui estão, as que estão nos outros blogs listados aqui (ao lado). E escrever/descrever/inscrever também sua própria cidade neste artefato virtual.
Aos amigos urbanófilos como eu, minhas saudações.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Canções urbanas (3)

A postagem de hoje é em homenagem à "degustaudição" (degustação + audição) realizada ontem no apartamento da grande amiga Juliana Serzedello, que teve como tema "Latinidad". Teve de tudo, claro, de Menudo a Quillapayún. Para mim, ficou a descoberta desta música interpretada pelo grupo Raíces de America em seu segundo disco.


La Ciudad

(Enzo Merino / Oscar Segovia / Frederico Góes)

De la ciudad llega el barulho
de la ciudad llega´l oído
llega´l oído, llega´l oído
Por la noche.

El viento las luces, la lunita
y la ciudad

Y los charanguitos tocando están
y los charanguitos
y los charanguitos mirando las ruas
de la ciudad

A las puertas de la vida
se van a tocar.

La gente camina en la soledad,
y ni sombras tiene
en la oscuridad
porque les falta, porque les falta
la voluntad

Pra quem se interessou, uma fonte para encontrar esta música é o "Boteco dos Bloggers": http://botecodosbloggers.blogspot.com/2009/05/raices-de-america-raices-de-america.html. Ou, claro, o site do grupo: http://www.raicesdeamerica.com

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Canções urbanas (2)

Música urbana 2
(Renato Russo)

Em cima dos telhados as antenas de TV tocam música urbana,
Nas ruas os mendigos com esparadrapos podres
Cantam música urbana,
Motocicletas querendo atenção às três da manhã
É só música urbana.
Os PMs armados e as tropas de choque vomitam música urbana
E nas escolas as crianças aprendem a repetir a música urbana.
Nos bares os viciados sempre tentam conseguir a música urbana.
O vento forte seco e sujo em cantos de concreto
Parece música urbana
E a matilha de crianças sujas no meio da rua
Música urbana.
E nos pontos de ônibus estão todos ali: música urbana.
Os uniformes
Os cartazes
Os cinemas
E os lares
Nas favelas
Coberturas
Quase todos os lugares
E mais uma criança nasceu.
Não há mentiras nem verdades aqui
Só há música urbana

domingo, 2 de agosto de 2009

A urbanização vista de baixo

Caros amigos, a elucidação dos pontos relacionais nos obriga à análise das condições epistemológicas e cognitivas exigidas. Acima de tudo, é fundamental ressaltar que a ética antropomórfica da famigerada escola francesa apresenta tendências no sentido de aprovar a manutenção da fundamentação metafísica das representações. Assim mesmo, a estrutura atual da ideação semântica exige a precisão e a definição do sistema de conhecimento geral. Ora, o novo modelo estruturalista aqui preconizado ainda não demonstrou convincentemente como vai participar na mudança das posturas dos filósofos divergentes com relação às suas atribuições.

Do mesmo modo, a valorização de fatores subjetivos emprega uma noção de pressuposição das novas teorias propostas. A prática cotidiana prova que a consolidação das estruturas psico-lógicas assume importantes posições no estabelecimento das direções preferenciais no sentido do progresso filosófico. Mill vai modificar essa ideologia substituindo a refutação deste ponto de vista relativista constitui uma propriedade inalienável do sistema de formação de quadros que corresponde às necessidades lógico-estruturais. Como Deleuze eloquentemente mostrou, o início da atividade geral de formação de conceitos obstaculiza a apreciação da importância dos paradigmas filosóficos.

De acordo com as idéias de Deleuze, o desafiador cenário globalizado não oferece uma interessante oportunidade para verificação da natureza não-filosófica dos conceitos. Se estivesse vivo, Foucault diria que o Übermensch de Nietzsche, ou seja, o Super-Homem, reabilita a condição inicial dos conceitos nominalistas. Como afirmou Deleuze, a expansão dos mercados mundiais cumpre um papel essencial na formulação das ciências discursivas. Neste sentido, existem duas tendências que coexistem de modo heterogêneo, revelando o juízo reflexionante do sujeito transcendental deve passar por modificações independentemente das relações entre o conteúdo proposicional e o figurado.

Segundo o genial Heidegger, a prática do bem-viver auxilia a preparação e a composição das múltiplas direções do ponto de transcendência do sentido enunciativo. A ruptura definitiva com Kant é consumada quando o aumento do diálogo entre os diferentes setores filosóficos é condição necessária das convicções empiristas. Foi à leitura dos trabalhos de seu amigo Russell que Moore dedicou mais tempo e cuidado no tratamento da questão sobre se a crescente influência da mídia prepara-nos para enfrentar situações atípicas decorrentes de todos os recursos funcionais envolvidos.

Todas estas questões, devidamente ponderadas, levantam dúvidas sobre se a necessidade de renovação conceitual maximiza as possibilidades por conta dos elementos envolvidos de maneira conclusiva? nada se pode dizer a respeito.

Entendeu alguma coisa? Nem eu! Por isso aproveito para divulgar o divertido site de "gerador de lero-lero filosófico": http://lerolero.hdfree.com.br

terça-feira, 28 de julho de 2009

Canções urbanas (1)

Under the bridge
(Anthony Kiedis)

Sometimes I feel like I don't have a partner
Sometimes I feel like my only friend
Is the city I live in, the city of angels
Lonely as I am, together we cry

I drive on her streets 'cause she's my companion
I walk through her hills 'cause she knows who I am
She sees my good deeds and she kisses me windy
I never worry, now that is a lie

I don't ever wanna feel like I did that day
Take me to the place I love, take me all the way

It's hard to believe that there's nobody out there
It's hard to believe that I'm all alone
At least I have her love, the city she loves me
Lonely as I am, together we cry

Well, I don't ever wanna feel like I did that day
Take me to the place I love, take me all the way

Under the bridge downtown
Is where I drew some blood
Under the bridge downtown
I could not get enough
Under the bridge downtown
Forgot about my love
Under the bridge downtown
I gave my life away

Here I stay.